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sábado, 27 de agosto de 2016

O MERCADO EDITORIAL E SUAS VARIANTES



            Este é um mercado muito novo. O e-book surgiu em 1971, quando Michael Hart liderou o projeto Gutemberg. A ideia era que os livros digitais fossem totalmente gratuitos, permitindo que a literatura fosse mais acessível. Mas o primeiro livro digital somente foi publicado 22 anos depois, em 1993. Daí em diante, o mercado de e-books começou a se desenvolver, tendo, em 2012, respondido por cerca de um quinto (20%) das vendas de livros nos Estados Unidos. As informações são da Association of American Publishers (AAP) e Book Industry Study Group (BISG). De acordo com os números, publicados pelo Mashable, a venda de e-books gerou 3 bilhões de dólares, um aumento de 44,2% em relação a 2011. Os dados incluem vendas de títulos ficção e não-ficção para adultos, jovens e crianças, mas não levam em conta obras de educação universitária/profissional.

           No Brasil esse mercado ainda é muito tímido, mas, em um futuro próximo, espera-se que haverá mudanças significativas. Acredita-se que ler um e-book será muito mais acessível para os brasileiros e o que contribui para isso é a crescente ascensão das máquinas (Readers, Tablet, Smartphones, etc) e a expansão da internet.

          O Brasil chegou a 168 milhões de smartphones em uso, um crescimento de 9% em relação a 2015, quando a base instalada era de 152 milhões de celulares inteligentes. Os dados são da 27ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) e divulgada em 13/04/2016.

          De acordo com o estudo, a expectativa é de que, nos próximos dois anos, o País tenha 236 milhões de aparelhos desse tipo nas mãos dos consumidores, em um crescimento de 40% em relação ao momento atual.

          No entanto, segundo dados da consultoria IDC, houve queda de 13,4% no número de smartphones vendidos no Brasil em 2015. Ao todo, foram pouco mais de 47 milhões de aparelhos, contra 54,5 milhões de unidades em 2014.



Computadores.




         Atualmente, de acordo com a pesquisa, o Brasil tem também 160 milhões de computadores (entre notebooks, tablets e desktops) em funcionamento, em um crescimento de 7% na base instalada com relação ao levantamento de 2015. Até o final do ano serão 166 milhões de computadores em uso – o número inclui 30 milhões de tablets.

          Caso a previsão se confirme, no final do ano o País teria quatro computadores para cada cinco habitantes. Sem a contagem dos tablets, são dois dispositivos para cada três brasileiros. Os dados mantêm o Brasil à frente da média mundial de 78 dispositivos para cada cem habitantes. No mundo, são 60 computadores para cada cem habitantes, enquanto nos Estados Unidos a proporção é consideravelmente mais alta: 144 aparelhos para cada cem pessoas.

           Segundo dados da consultoria IDC, houve queda nas vendas de tablets pela primeira vez no País em 2015: no ano passado, as fabricantes venderam pouco mais de 5,8 milhões de unidades, recuo de 38% na comparação com 2014. No entanto, a previsão da FGV-SP é otimista, com comercialização de 15,2 milhões de unidades

           Se essas informações ajudam a entender como estão atualmente os mercados que impulsionam os negócios de livros digitais, conhecer quem são e o que pensam os leitores de e-books ajudará ainda mais. Vejamos:



O Leitor Brasileiro




           O levantamento mais recente sobre o comportamento do leitor brasileiro, promovido pelo Instituto Pró-Livro e realizado pelo Ibope Inteligência, é a 4ª edição de “Retratos da Leitura no Brasil”.

           O estudo do Ibope considera “leitor” aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos 1 livro nos três meses antecedentes à pesquisa e “não-leitor” aquele que não leu nenhum livro nesses mesmos três meses, independentemente de  que tenha lido algum nos doze meses anteriores.

          A pesquisa um aumento no número de leitores no Brasil. Divulgada na quarta-feira (18/-5/16)), em São Paulo, estima-se que 104,7 milhões de brasileiros (ou 56% da população acima dos 5 anos de idade) leram pelo menos partes de um livro nos últimos três meses. Em 2011, quando foi realizada a última edição da pesquisa, esse índice era de 50%. A pesquisa revela ainda que houve aumento nos índices de leitura per capita. Se em 2011, um brasileiro lia quatro livros por ano, em 2015, o índice chegou a 4,96. Os aumentos – tanto da população leitora quanto dos índices de leitura – foram sentidos nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste e Norte. No Nordeste, a população leitora se manteve estável (51% de leitores) e os índices de leitura per capita caíram de 4,3 livros por ano em 2011 para 3,93 em 2015.

O Livro Digital

         A pesquisa de 2011 detectou que 81 milhões de brasileiros tinham acesso à internet. Em 2015, esse número subiu para 127 milhões. Sobre as atividades relacionadas à leitura que realizam na internet, os itens mais indicados são: leitura de notícias e informações em geral (52%); estudo e pesquisas para a realização de trabalhos escolares (35%) e aprofundamento no conhecimento a respeito de temas de interesse pessoal (32%). A leitura de livros fica em sexto lugar, com 15%.

           Atualmente, a faixa etária dos entrevistados que mais acessam a internet para leitura de livros é a de 18 a 24 anos. A maioria dos leitores de livros digitais é do gênero masculino (53%) e está nas classes B (43%) e C (42%). Na distribuição geográfica, 48% dos leitores digitais estão no Sudeste, 23% no Nordeste, 12% no Sul, 10% no Centro-Oeste e 7% no Norte. O dispositivo mais usado na leitura de livros digitais é o celular ou smartphone (56%), seguido por computadores (49%) e tablets (18). Dispositivos dedicados à leitura, os e-readers, ficaram na lanterninha, com 4% de participação.

          A pesquisa perguntou ainda se as pessoas já ouviram falar em livros digitais. Quarenta e um por cento dos entrevistados responderam sim. Desse universo apenas 26% declararam já ter lido um e-book. Dentre os que declararam já ter lido um e-book, 88% disseram que o baixaram gratuitamente. Apenas 15% declararam ter pago pelo livro digital.



Influenciadores de leitura e de compra




     A pesquisa mostra que 33% dos respondentes declararam que tiveram influência de alguém para começar a ler. A figura materna – mãe ou responsável do gênero feminino – é a maior influenciadora nesse quesito. Professores e professoras representam 7% e a figura paterna, 4%.

      Quando questionados “qual destes fatores mais o influencia na hora de escolher um livro para comprar?”, 55% dos respondentes disseram que o tema ou o assunto é determinante na escolha. Chama a atenção a parcela da população que compra um livro a partir de recomendação de sites especializados, blogs ou redes sociais. Apenas 3% dos respondentes optaram por essa opção, colocando em xeque a figura de blogueiros como grandes divulgadores de livros.


Fontes: Sebrae, Instituto Pro-Livro, Publisnews

domingo, 19 de junho de 2016

A PEQUENA EDITORA E O AUTOR INICIANTE




        A ideia da maioria das pessoas, que começam sua senda literária, apresentando seu primeiro original a uma editora, é de que, depois de aprovado o livro, não terá que fazer mais nada a não ser desfrutar da fama que virá, isso sem contar as várias exigências que imagina poder impor a editora, que resolveu investir nele. Ledo engano, pois o buraco é mais embaixo!
       Há aproximadamente dez ou quinze anos, um novo autor só conseguia publicar seu original com muita sorte ou, principalmente, se pagasse por uma edição independente, o que não era barato. Hoje, não.
       Com um investimento relativamente baixo, e pagamento facilitado, milhares de autores conseguem tirar seus textos do computador, do diário ou da gaveta, e levá-los diretamente para a estante, quer através de uma publicação independente ou através de uma editora. Porém, apesar do caminho para efetivamente publicar seu trabalho ter se tornado mais fácil, o trabalho não termina depois da noite de autógrafo, muito pelo contrario. É depois das “festas de lançamento” que a coisa começa a pegar.
      A publicação em si não fará com que leitores se interessem pelo seu livro, como num passe de mágica. Aliás, não existe mágica no Mercado Editorial e uma Editora também não é uma instituição beneficente, nem uma clinica de psicologia para tratar suas emoções. Ela é uma empresa que vendo um produto – livro, impresso ou digital – e tem como objetivo primário, auferir LUCRO. Então, se seu livro não “vender”, dificilmente ela irá investir num novo projeto. Aqui cabe um adendo. Se você teve um original aprovado para publicação, e a editora irá investir dinheiro nisso, não esqueça de que ela está analisando o seu livro como uma possibilidade de ter lucro, e não porque ele é uma “obra prima”. Sim, eu sei que é uma coisa dura de ouvir, mas é melhor aceitar a verdade, do que viver iludido.
           Os novos autores, mesmo diante das facilidades que já mencionei, não podem se descuidar do seu aperfeiçoamento constante. Costumeiramente nos deparamos quem candidatos a fama literária que, quando, na hora de publicar, não possuem um blog, não escrevem para nenhum veículo e sequer participaram de alguma coletânea. Nunca publicaram um texto, nem no jornalzinho de sua cidade, possuem um português sofrível, e, num belo dia, resolvem sentar-se numa mesa e digitam freneticamente um livro de 250 páginas, muitas vezes sem uma pesquisa mínima sobre o assunto de que trata a narrativa. São pessoas que nunca escreveram profissionalmente. E o livro, que será fruto desse trabalho, obviamente, ainda não possuirá leitores interessados – familiares e amigos não contam – até porque, com exceção dos amigos e familiares já mencionados, ninguém saberá da existência do autor e da obra.
           Mesmo assim, o referido escritor tem certeza de que o trabalho de angariar leitores pertence exclusivamente à editora, e não a ele. Jura que seu livro só não vende por que a editora não faz sua parte. Ela não divulga seu nome, sua obra, não orienta, não o incentiva de trata melhor os autores mais famosos e atuantes de seu catálogo. Traduzindo, ele é a vitima e o coitadinho da história.
           Geralmente o novo autor publica por uma pequena editora, mas age como se estivesse lançando seu livro por um Grupo Editorial, como a Record ou a Globo. No entanto, editoras de renome continuam com suas portas fechadas para autores iniciantes e publicam somente quem já conquistou sua fatia – e seus leitores – no mercado editorial, pois o retorno é quase certo. E é porque investem pesado em determinado escritor, que as grandes editoras precisam da garantia de que seu investimento lhe trará retorno em curto prazo. E para que isso aconteça, o autor em questão necessita ter seu público leitor estabelecido.
         Lembra-se do que disse antes? Editora não é Instituição de caridade, é uma empresa que vive de resultados, ou seja, LUCRO. Assim sendo, a maioria dos escritores iniciantes irá publicar através de casas editoriais pequenas, sob demanda, que editam dezenas de livros por mês – praticamente todos com tiragens muito pequenas, inclusive, na maioria das vezes, desembolsando certa quantia para isso. Ai, autor iniciante, que tem seu original aprovado por uma dessas editoras, solicita 30 exemplares, como se estivesse solicitando 10 mil, e quer que a editora o coloque no Programa do Jô, na capa do caderno de cultura do Estadão e distribua sua obra em todas as livrarias do país. Contudo, ele próprio não consegue comercializar os 30 livros que pediu, o que me leva a conclusão de que nem sua família, amigos e colegas de trabalho compraram sua obra. E se o autor não tem 30 pessoas, do seu próprio circulo de amigos e parentes, interessadas em seu livro, como a editora vai encontrar cinco mil dispostas a pagar para ler uma obra de um escritor que nunca ouviram falar? Isso sem levarmos em conta a grande concorrência que se criou. Lembre-se, se ficou mais fácil para você publicar, também ficou mais fácil para todo mundo publicar.
          E só ficou fácil por que a maioria das pequenas editoras dificilmente realiza um trabalho exclusivo de edição e divulgação para cada lançamento. Não por que não querem, mas porque, se assim fizerem, não conseguirão sobreviver por mais de 90 dias, pois, se a tiragem for pequena, o lucro da editora também será igualmente pequena. Tiragens maiores significam investimentos maiores, e, consequentemente, riscos maiores, que também poderão levar a editora a fechar suas portas rapidamente, se não der um retorno satisfatório.
           É por essa razão que as editoras menores se obrigam a publicar muitos autores, visando minimizar os riscos e auferir um lucro razoável para manter-se no mercado. Elas trabalham baseadas em quantidade, e não necessariamente em qualidade, embora se este ultimo não for tratado com cuidado, também pode levar a editora a perder seus leitores, e, consequentemente, reduzir seus lucros, passando até a correr o risco de fechar suas portas. Tanto é que algumas chegam a lançar mais de 700 livros por ano, cada um com tiragem variando entre 30 e 50 exemplares.
           É ai que surge o questionamento. Como uma editora, que lança 700 autores por ano, vai conseguir, efetivamente, divulgar um por um de seus lançamentos? Impossível!
         Uma editora é uma empresa como outra qualquer, que possui despesas, salários, aluguel, planilhas, cronogramas, impostos e contas para pagar. Mas o autor iniciante, e às vezes alguns experientes, não querem entender isso. Geralmente por não querer abrir mão de suas fantasias literárias. E, apesar de publicar por uma editora, que lança quase 60 autores por mês, solicita 10 exemplares de sua obra, exige mil regalias: quer divulgação, preço baixo, ilustração na capa e no miolo do livro, distribuição em todas as livrarias do país. Quer participar e dar autógrafos em bienais, em programas de rádio e TV e receber muita bajulação, mesmo não conhecendo meia dúzia de pessoas interessadas em pagar para ler o seu livro.
         Um outro erro comum, que os novos autores cometem, é acreditar que escritores, hoje renomados, somente são famosos por que publicam por uma grande editora. Isso não é verdade. A generosa maioria de autores renomados começou como todo mundo; anônima e lentamente, trabalhando muito, conquistando leitores e seu espaço embaixo do sol, devagar e sempre.
     André Vianco, escritor de Literatura Fantástica, conhecido por todo país, e um dos ícones nacionais nesse tipo de literatura, lançou seu primeiro livro – Os Sete – de forma independente, utilizando o FGTS, que recebeu depois de ser demitido, e saiu vendendo os 1mil exemplares, até adquirir certa notoriedade na cidade onde residia e ser contratado para publicar pela Novo século.
         Eduardo Sporh, outro escritor de Literatura Fantástica, também publicou seu livro de forma independente, passando a vendê-lo através de do Blog Jovem Nerd. Tal trabalho, e a quantidade de exemplares vendidos chamou a atenção da Verus – divisão da Record para Literatura Fantástica, tornando-se referencia nesse tipo de literatura.
        Daniel Galera, escritor premiado, publicado fora do país, e um dos nomes mais relevantes da nova literatura brasileira, lançou seu primeiro livro, Dentes Guardados, em 2001, através de uma editora, que ele próprio fundou para se autopublicar, pois, nessa época, não existiam tantas pequenas editoras de portas abertas.
        Carol Bensimon lançou seu primeiro livro, Pó de Parede, através da pequena e desconhecida Não Editora, e hoje é autora da Companhia das Letras. Raphael Montes, autor da mesma Companhia das Letras, publicou pela primeira vez, em 2009, em uma coletânea da Editora Multifoco chamada Assassinos S/A.
      E temos aqueles que não são conhecidos nacionalmente, mas são ícones em seu gênero de escrita, tais como os autores da coletânea Amor Vampiro, publicada pela Giz Editorial, em 2008, onde figuraram nomes como o já mencionado André Vianco, as damas do terror nacional Giulia Moon e Martha Argel, Nelson Magrini, a autoridade nacional em vampiros Adriano Siqueira, bem como o versátil J. Modesto.
          Todos eles não enviaram seus originais para um grande selo, nem foram aprovados e se tornaram escritores reconhecidos da noite para o dia. Todos realizaram um trabalho sério, profissional, constante e comprometido, durante muito tempo, dia após dia, até finalmente conquistarem seu espaço no mercado editorial brasileiro e no interesse dos leitores.
            O mais importante, se resolver publicar através de uma pequena editora, não aja como se fosse o autor Best Seller da literatura nacional, exigindo mundos e fundos. Arregace as mangas e trabalhe na divulgação e venda de seus livros, pois se você não acredita nele e não trabalha em prol da sua obra, não pode exigir que os outros o façam sem dar nada em troca. Pensar que está trabalhando “de graça” para a editora é pensar pequeno. Na verdade você está trabalhando para você. Para a sua marca, o seu nome e pavimentando sua estrada para o sucesso.
                                                                                  
 Boa Sorte!
L. H. Hoffmann 
 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A LEITURA NA VIDA DE SEU FILHO.



             Pesquisas do mundo todo mostram que a criança que lê e tem contato com a literatura desde cedo, principalmente se for com o acompanhamento dos pais, é beneficiada em diversos sentidos: ela aprende melhor, pronuncia melhor as palavras e se comunica melhor de forma geral. "Por meio da leitura, a criança desenvolve a criatividade, a imaginação e adquire cultura, conhecimentos e valores", diz Márcia Tim, professora de literatura do Colégio Augusto Laranja, de São Paulo (SP).
            A proximidade com o mundo da escrita, por sua vez, facilita a alfabetização e ajuda em todas as disciplinas, já que o principal suporte para o aprendizado na escola é o livro didático. Ler também é importante porque ajuda a fixar a grafia correta das palavras.
            Quem é acostumado à leitura desde bebezinho se torna muito mais preparado para os estudos, para o trabalho e para a vida. Isso quer dizer que o contato com os livros pode mudar o futuro dos seus filhos. Parece exagero, mas não é. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Fundação Nacional de Leitura Infantil (National Children's Reading Foundation) garante que, para a criança de 0 a 5 anos, cada ano ouvindo historinhas e folheando livros equivale a 50 mil dólares a mais na sua futura renda.
            Segundo o Ministério da Educação (MEC) e outros órgãos ligados à Educação, a leitura:

- Desenvolve o repertório: ler é um ato valioso para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. É uma forma de ter acesso às informações e, com elas, buscar melhorias para você e para o mundo;

- Liga o senso crítico na tomada: livros, inclusive os romances, nos ajudam a entender o mundo e nós mesmos;

- Amplia o nosso conhecimento geral: além de ser envolvente, a leitura expande nossas referências e nossa capacidade de comunicação;

- Aumenta o vocabulário: graças aos livros, descobrimos novas palavras e novos usos para as que já conhecemos;

- Estimula a criatividade: ler é fundamental para soltar a imaginação. Por meio dos livros, criamos lugares, personagens, histórias
;

- Emociona e causa impacto: quem já se sentiu triste (ou feliz) ao fim de um romance sabe o poder que um bom livro tem;

- Muda sua vida: quem lê desde cedo está muito mais preparado para os estudos, para o trabalho e para a vida;

- Facilita a escrita: ler é um hábito que se reflete no domínio da escrita. Ou seja, quem lê mais escreve melhor.


            Esses são os benefícios diretos que seu filho terá ao se tornar um leitor. Mas não se esqueça que, acompanhando esses benefícios diretos, estarão presentes, também, os benefícios indiretos, tais como, a formação de um cidadão consciente e participativo, o desenvolvimento de seu país, das bibliotecas, do mercado editorial, da qualidade da escola, dentre tantos outros. Instituições Financeiras e empresas, como o Itaú, que tem um programa de incentivo a leitura infantil, inclusive distribuindo livros gratuitamente, já descobriram a importância da leitura para os pequeninos.
            As pesquisas mostram que quem começa a ler cedo tem mais chances de se tornar um leitor assíduo. Mostram também que o contato com narrativas melhora o futuro desempenho da criança. Por isso, leia - ou conte as histórias que você conhece - para seu filho desde bebê. É importante usar a entonação e a emoção!
            Pequenos passos, como deixar os livros ao alcance das mãos deles, visitar livrarias e bibliotecas infantis, deixando-os conhecer esse universo e ler pelo menos 20 minutos por dia, fazem toda a diferença. Vamos a algumas dicas práticas para auxiliá-lo nesse prazeroso e lucrativo trabalho:

- Dê o exemplo e leia você também. É bom para você e excelente para seu filho, que seguirá seu modelo naturalmente;

- Deixe os livros à mão para ele folhear e inventar histórias. Livros têm de ser vividos, usados, não podem parecer objetos sagrados;
 
- Reserve um horário para a leitura e transforme em um momento de prazer. Aconchegue-se com seu filho, leia para ele, mostrando as palavras. Quando ele crescer no desenvolvimento de sua alfabetização, ajude-o na leitura;

- Frequente livrarias e bibliotecas. Dê livros, principalmente gibis – essa mídia é a mais indicada para os pequeninos - ou revistas de presente;

- Comente sempre o livro com ele. Incentive-o a falar da história e contá-la para outras pessoas;
 
- Empreste livros para os amiguinhos dele. Estimule a troca e as conversas;
 
- Estimule atividades que usem a leitura - jogos, receitas, mapas. Livros com temas atraentes e linguagem adequada para cada idade são garantia de diversão. Para conquistar os pequenos leitores, é preciso recomendar livros pelos quais eles se interessem. Tomando o cuidado, claro, de escolher obras que proponham algum tipo de reflexão e que sejam bem escritas.
 
- Cuidado para não forçar a barra - nunca obrigue a leitura nem indique obras impróprias para a sua faixa etária. "Se começarmos exigindo que eles leiam livros mais sérios e pesados, podemos perder o leitor", lembra a professora Ana Elvira Casadei Iorio, professora do Colégio São Luís, de São Paulo (SP). Lendo, você ri e se emociona, mostra à criança seu lado humano e capta os sentimentos dela. Quem não se lembra da cena do filme "ET - O Extraterrestre" em que a mãe lê "Peter Pan", clássico de James M. Barrie, para a pequena Drew Barrymore: "Se você acredita em fadas, bata palmas!". E as duas batem palmas animadamente. Só Spielberg para mostrar tão bem esse momento de intimidade e alegria em família.
             Nos Estados Unidos, são muitas as campanhas pró-leitura. Uma delas, da Fundação Nacional de Leitura Infantil (National Children's Reading Foundation, www.readingfoundation.org), que reúne instituições voltadas à disseminação da leitura, tem um slogan que diz muito em poucas palavras: "Leia com uma criança. São os 20 minutos mais importantes de seu dia". Ou seja, não é preciso ler por muito tempo, mas é importante inserir a leitura na rotina da criança e da família.
            Compartilhar uma história já é uma forma de leitura. "O fato de a criança ainda não saber ler convencionalmente não significa que não possa presenciar das mais variadas situações de leitura", explica Clélia Cortez, coordenadora pedagógica do Colégio Vera Cruz, em São Paulo (SP). Nesta situação, o adulto é um mediador entre a criança e o livro, ou seja, é ele quem lê para ela, de preferência com entonação e emoção. "Neste momento, o que interessa é o prazer pela leitura e o afeto que envolve o momento", reforça Clélia Cortez.
            Muitos dos livros para crianças em fase de pré-alfabetização são verdadeiros brinquedos. Coloridos e dobráveis, eles são muito lúdicos, o que estimula o gosto pelos livros. "Desde pequenas, as crianças devem se sentir motivadas a ler. Elas precisam perceber a leitura como um desafio interessante e prazeroso", completa Clélia Cortez.
            É importante atentar para a adequação entre a idade da criança e a faixa etária indicada no próprio livro. Indicações de parentes, amigos e principalmente, educadores, ajudam - e muito. É válido considerar também os temas que interessam mais aos pequenos leitores. Outro aspecto fundamental é apresentar às crianças narrativas simples, porém ricas - afinal os textos precisam ter vocabulário acessível, mas não podem subestimar o pequeno leitor. "Embora possa ser menor, a narrativa tem uma riqueza na construção da linguagem, até porque as crianças dessa idade estão em processo de construção da oralidade e precisam ter boas referências. A linguagem está relacionada com o pensamento, por isso a importância de oferecer ricas narrativas", diz Clélia Cortez.
            Para os mais velhos, vale a pluralidade de gêneros literários e finalidades - livros para divertir, para imaginar, para conhecer outras culturas, para estudar; livros que abordem valores e boas atitudes, que tenham personagens com os quais eles se identifiquem. O principal é, de novo, que tragam boas referências. "É nessa fase que os alunos estão começando a produzir seus próprios textos", diz a Lara Pecora Polazzo, professora do Colégio Santa Maria, de São Paulo (SP).
             Sim, a leitura ajuda a aumentar o vocabulário, pois familiariza a criança com a palavra escrita e, de quebra, ajuda a fixar a grafia correta das palavras e a construção harmônica das frases.
            Textos com estrutura de repetição costumam ser muito apreciados pelas crianças. São fáceis de memorizar e ainda possibilitam a identificação das palavras repetidas, o que é importante para a alfabetização. "Ao acompanhar a leitura das palavras de um livro, a criança, mesmo que ainda não seja alfabetizada, vai sendo introduzida no mundo das letras", afirma Célia Cortez.
            Em tese, toda leitura é bem-vinda. Ter contato com obras de diferentes estilos é fundamental. "Livros para divertir, para imaginar, para conhecer outras culturas, para estudar; livros que abordem valores e boas atitudes, que tenham personagens com os quais as crianças se identifiquem", afirma Lara Pecora Polazzo. Por isso, não há problemas em ler com interesse - compulsão, até - best-sellers como Crepúsculo ou Harry Potter. Mas os pais têm obrigação de intermediar o contato do filho com outras experiências literárias. "A orientação de um leitor mais experiente é muito importante", diz Neusa Sallai, professora do Colégio Rio Branco, de São Paulo (SP).
            Sim, pois o hábito da leitura é contagiante. Se os pais, volta e meia, ficam quietinhos, mergulhados num bom livro, a criança com certeza receberá a mensagem: ler é gostoso. Por isso, dê o bom exemplo. A pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", publicada pelo Instituto Pró-Livro, em 2009, indica que, 55% dos entrevistados que não leem nunca viram os pais lendo e 86% nunca foram presenteados com livros na infância. Precisamos mudar isso!
            Quer que seu filho leia mais? Então faça o mesmo e comece a substituir alguns momentos em frente à TV pela leitura.
            Sempre que estiver lendo um jornal, chame seu filho para ver algo interessante que você encontrou. Pode ser uma tirinha engraçada, uma imagem ou uma notícia do interesse dele.
            Não sabe que programas fazer com as crianças? Frequente livrarias. Deixe seus filhos folhearem os livros, leia histórias para eles e, quando possível, leve algum para casa. E, mesmo que você possa, não compre muitos num só dia. Procure manter o hábito de voltar lá outras vezes e levar um por vez.
            Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), cada brasileiro lê pouco mais de dois livros por ano. Na Inglaterra, que tem um dos melhores sistemas de ensino do mundo, a média chega a cinco livros anuais. Que tal acompanhar o ritmo dos ingleses ou, até mesmo, superá-lo?
            Para quem não compra livros porque são caros, é hora de abandonar a desculpa: a maioria dos brasileiros não precisa, necessariamente, gastar aos montes nas livrarias. Segundo dados do IBGE, 85% dos nossos municípios possuem bibliotecas públicas, e bem equipadas, muitas delas voltadas exclusivamente para determinado tema ou publico. Um exemplo claro disso é a Biblioteca Publica Viriato Correa, na Vila Mariana, que é voltada basicamente para a Literatura Fantástica! Se quiser conhecer algumas dessas bibliotecas, acesse o site da Prefeitura Municipal de São Paulo, no link abaixo. 


 
            Acostume-se a frequentá-las, com o seu filho, e mostre quanta coisa interessante ele pode descobrir com os livros.

Fontes: educarparacrecer.abril.com.br
             www.prefeitura.sp.gov.br